

Mandala de Areia
O mapa da mente
No budismo tibetano, a criação de mandalas de areia é muito especial para os seguidores de Buda e do Dharma, seu ensinamento. Ela representa o reino de uma divindade específica e oferece bênçãos, à região onde é realizada e a todos os seres sencientes. A prática ensina a impermanência e a lucidez. Tudo o que "existe" está sujeito ao nascimento, à existência, à decadência e à morte e, além disso, nós ensina que nada existe por si só. A forma esta se esvaziando, e o vazio se formando. Nesta ocasião, uma mandala de areia do Buda Primordial, Kunzang Zangpo, foi criada em homenagem ao 90º aniversário de Sua Santidade o Dalai Lama, na Chapada dos Veadeiros, Brasil.

A criação de mandalas de areia é realizada pelos Geshes, título recebido após um treinamento intensivo em filosofia do budismo tibetano, com duração mínima de 12 anos. O exame final baseia-se na proficiência em debates ritualísticos dialéticos. Eles podem aprofundar seus estudos em cânticos sagrados, pinturas, rituais e mandalas de areia.

As linhas de base são desenhadas como se os alicerces da mandala estivessem sendo construídos. A mandala deve ser visualizada em 3 dimensões, com a divindade no centro, rodeada pelo templo que possui 4 portões.

Uma vez concluído o desenho, ele é coberto com as 8 oferendas tradicionais. Os Geshes, então, iniciam cânticos sagrados para preparar o campo de méritos em benefício de todos os seres sencientes.


A areia colorida é então espalhada delicadamente, com precisão cirúrgica, sobre o desenho, esfregando-se, com um pequeno bastão, um cone de cobre preenchido com a areia. Os Geshes dedicavam vários dias para completar a mandala, porém algumas mandalas exigem semanas devido à sua complexidade e nível de detalhes.

O Sang Puja, a oferenda de fumaça, tem como objetivo remover obstáculos e promover o crescimento espiritual. Diferentes substâncias são lançadas ao fogo como oferendas, e cânticos e músicas sagradas são entoados. O ritual envolve oferendas a quatro tipos de convidados: divindades, protetores, dívidas cármicas e todos os seres sencientes.


Com a fumaça subindo da fogueira, a energia negativa é purificada. Sang Puja personifica a generosidade e a interconexão, dois elementos vitais para nutrir a compaixão.

Quando o ritual da oferenda é concluído, novas bandeiras de oração e arroz, simbolizando a energia positiva gerada pelo ritual, são oferecidos em benefício de todos os seres sencientes.

Ao longo da criação da mandala, Geshe Lobsang Dondhup difundiu ensinamentos relacionados à aparência ilusória das coisas e à sabedoria de como compreendê-la. Nas últimas duas décadas, muitos brasileiros encontraram refúgio no budismo, um caminho não dogmático para a libertação do sofrimento desta vida condicionada.


Nos passos finais da prática, Geshe Lobsang dissolve a mandala, certamente o momento mais crucial do ensinamento, onde algo tão belo, que exigiu tanto tempo e energia para ser criado, é destruído, lembrando-nos da impermanência desta existência. Toda a areia é então colocada em um pote especial e uma pequena quantidade é distribuída como bênção a todos os participantes presentes.



O jarro cheio da areia preciosa é levado para um rio, encerrando o ritual. Leite é derramado, simbolizando a purificação do local antes de espalhar a areia no rio, enfatizando o ensinamento final sobre o desapego.


