




Em 1998, durante minha terceira viagem pela Índia, em meio ao borbulho cultural, percebi que algumas das pessoas tinham uma aparência diferente da maioria de outros hindus. Isso me chamou bastante atenção. Visualmente me pareciam pessoas muito simples. Vestiam-se com tecidos sem costura, predominantemente laranja, como um shawl, e utilizavam um pano (lungi) para cobrir uma parte de suas pernas, amarado por um cinto de lã bordada muito especial. Às vezes, alguns estavam com o corpo coberto de uma coisa cinza lhes conferindo uma aparência de um ser de outro mundo.
Cinzas Sagradas
Cinzas Sagradas

Alguns meses em viagem, a caminho da majestosa região de Chomolungma, mais conhecido como Mount Everest, no Nepal, eu encontro um rapaz que me fala de um dos maiores festivais hindus, a Khumba Mela, que acontecera em Haridwar na Índia. Decidi então de acompanha-lo quando voltaremos da jornada que estávamos fazendo.
Quando finalmente chegamos em Haridwar, me deparei com uma concentração inimaginável do povo que me despertou tanto curiosidade ao longo desses anos, e descobri que eles eram chamados de sadhus. Foi então meu primeiro contato com esses seres esotéricos, que pareciam vir de um outro planeta e me levaram a dedicar uma década e meia de minha vida a entender com profundidade suas escolhas de vida e percorrer longos caminhos nas suas companhias pelas rotas de peregrinações, em cavernas nos altos do Himalaia, festivais religiosos e ashrams escondidos em vilareja que nem constavam nos mapas.

